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A igreja que se reergueu três vezes

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É uma lição de História e de resistência aquela que contam as paredes da igreja de São Julião. Em plena Praça do Bocage, disputa a atenção com o poeta e é um dos edifícios mais emblemáticos de Setúbal.

Fundada algures no século XIII, diz-se que por grande influência dos pescadores, sobreviveu aos vários terramotos que assolaram a cidade. Reconstruída e modificada, as cicatrizes do tempo dão-lhe personalidade e acrescentam-lhe valor.

A primeira reconstrução aconteceu depois de, em 1513, D. Manuel ter determinado a ampliação desta igreja. Durante os trabalhos, uma nave desabou e foi preciso rebaixar outra.

O segundo golpe veio com o terramoto de 1531. O templo manuelino entretanto erguido foi atingido embora não se conheça com exatidão a extensão dos danos. Levantou-se de novo, numa obra terminada por volta de 1570 que alterou bastante a configuração original.

Quase 200 anos depois, o terramoto de 1755 abriu novas feridas. A destruição profunda só foi reparada já no reinado de D. Maria.

 

Pouco ficou do templo quinhentista, além dos dois portais manuelinos (o principal, a Ocidente, e o a Norte), assim como a estreita porta que dá acesso à torre sineira cujo relógio, fabricado na Suíça, começou a funcionar em 1876. Também no terramoto de 1858 a igreja sofreu alguns prejuízos, mas de menor dimensão.

 

No interior podem ainda admirar-se painéis de azulejos do século XVIII, mostrando cenas da vida de São Julião. Na reconstrução manuelina, o templo foi decorado com um retábulo atribuído ao pintor Gregório Lopes, ou à sua oficina, do qual sobreviveu a tábua Criação de Adão.

Símbolo de uma fé inabalável, ali está, sobranceira, a igreja matriz de Setúbal que encerra oito séculos de resistência.