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Luísa Todi,
voz do mundo

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Há ironias e coincidências que nos deixam a pensar que, às vezes, o mundo se alinha só para nos mostrar a grandeza de que é capaz.

Neste 1 de outubro, Dia Mundial da Música, passam 185 anos da morte da cantora lírica setubalense Luísa Todi. Uma mulher que correu o mundo com a sua voz, arrancando aplausos nas mais exigentes cortes.

Nascida Luísa Rosa de Aguiar, em 1753, na atual rua da Brasileira, no Bairro do Troino, era filha de um professor de música e instrumentista. Deixou cedo a cidade natal onde não voltaria. Começou aos 14 anos no teatro musicado, estreando-se em Tartufo, de Molière, no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa. Com uma irmã mais velha, Cecília, cantou em óperas cómicas.

 

Francesco Saverio Todi, um violinista napolitano, perdeu-se de amores por ela. Casaram em 1769, quando Luísa tinha apenas 16 anos. Mais do que o apelido, o marido deu-lhe a possibilidade de aprender canto com o muito conceituado compositor David Perez. Estavam desenhadas as linhas de um destino que a levariam a uma carreira internacional e a um reconhecimento como uma das maiores cantoras líricas de todos os tempos.

O casal teve seis filhos, três rapazes e três raparigas, nascidos em cidades diferentes ao sabor das atuações de Luísa que se estreou, em 1771, na corte portuguesa de D. Maria I e cantou no Porto, entre 1772 e 1775. Aos 24 anos parte para Londres, para cantar no King's Theatre. No ano seguinte vai para Paris, depois Versalhes.

O reconhecimento maior chega a partir de 1780. Com 27 anos, é aclamada em Turim. Encanta na Áustria, na Alemanha e na Rússia, onde foi presenteada com belas jóias por Catarina II, que a convidou para a corte.

Mais tarde, de Frederico Guilherme II da Prússia, recebe aposentos no palácio real, carruagem e os seus próprios cozinheiros, além de um contrato que dizem ter sido principesco. Em 1793 regressa à corte de Lisboa e termina a carreira em 1799, em Nápoles, embora ainda tivesse cantado no Porto (em 1801), cidade onde enviuvou em 1803.

Aos 58 anos mudou-se para Lisboa e aí morreu, aos 80, vítima, ao que tudo indica, de um acidente vascular cerebral.

Sempre foi e é mais do mundo do que de Setúbal. Mas esta cidade que praticamente só a viu nascer não a esquece.

 

A avenida principal, onde símbolos da música, como o coreto, ganham destaque, tem o seu nome. Foi erguido o Fórum Municipal Luísa Todi, casa de excelência da música e das artes. Há uma glorieta que lhe é dedicada. Mas também uma escola, edifícios, iniciativas, homenagens… para que a sua voz continue a estar presente.

Luísa Todi cegou por completo 10 anos antes de morrer. Depois de ver o mundo, viria a morrer, cega, naquele que anos mais tarde foi consagrado o Dia Mundial da Música.